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Turismo e Sustentabilidade: uma proposta para o município de Goiana (PE)

Reserva Aparauá EcoAventura

Reserva Aparauá EcoAventura

Apesar de metade de seu território ser dedicado a atividades agrícolas, com destaque para o cultivo da cana-de-açúcar, o município de Goiana (PE), há 70 quilômetros da capital Recife, reserva exuberantes belezas naturais e um rico acervo histórico e cultural.

As potencialidades do turismo no município a partir da compreensão das três variáveis da sustentabilidade (econômica, ambiental e sociocultural) foram tema de um artigo científico produzido pelas professoras Adjane Araujo Machado, Rafaela Soares Espínola e Izolda Kelly Barbosa, da Universidade Federal da Paraíba (PB). O trabalho foi premiado como o melhor artigo na última edição do Fórum Internacional de Turismo do Iguassu, realizado em Foz do Iguaçu (PR) durante o Festival das Cataratas 2017.

Artigo científico foi considerado o melhor do Fórum Internacional de Turismo do Iguassu.

Artigo científico foi considerado o melhor do Fórum Internacional de Turismo do Iguassu.

As potencialidades de Goiana (PE) são bastante singulares, pois abrangem atrativos litorâneos, rurais e urbanos. “E isso possibilita dialogar com a história, a cultura, os ecossistemas e a questão socioeconômica do município”, explicam as professoras. Na área litorânea, Goiana (PE) reúne seis praias (Carne de Vaca, Barra de Catuama, Tabatinga, Atapuz, Ponta do Funil e Pontas de Pedra), além da Reserva Extrativista Acaú-Goiana, inserida num bioma marinho costeiro, o que faz do destino um cenário ideal para práticas de turismo de sol e mar, ecoturismo e turismo de aventura.

Na área rural, segundo as professoras, “engenhos e casarios que retratam o período colonial são um convite para o turismo histórico cultural, além da Reserva particular Aparauá EcoAventura que atualmente desenvolve atividades de ecoturismo, turismo de aventura, educação ambiental e eventos”. Já na área urbana, monumentos, capelas e igrejas retratam o período colonial da produção de cana, os grandes latifúndios e a resistência indígena e quilombola aos poderes dominantes. As igrejas datam do século XVII, oito delas são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos (Obs: Em Goiana três igrejas se destacam por retratarem o período de colonização portuguesa no Município, são elas: a Igreja do Rosário dos homens brancos, a Igreja do Rosário dos homens prados e a Igreja do Rosário dos Homens negros – as três construídas a partir da divisão socioeconômica vigente).

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos (Obs: Em Goiana três igrejas se destacam por retratarem o período de colonização portuguesa no Município, são elas: a Igreja do Rosário dos homens brancos, a Igreja do Rosário dos homens prados e a Igreja do Rosário dos Homens negros – as três construídas a partir da divisão socioeconômica vigente).

Tradições e artesanato

Datas comemorativas estão presentes como tradições populares a dança dos Caboclinhos, manifestação folclórica de origem indígena, considerada Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil; a dança do coco de barcaça, uma variação do coco de roda; o Maracatu; o folguedo As Pretinhas do Gongo; e os bois e burras de Goiana.

No artesanato, destacam-se as cerâmicas figurativas e a xilogravura, as peças, os colares e os adereços de conchas, mariscos e escamas de peixes produzidos pelas marisqueiras. Além da encenação teatral das Heroínas de Tejucupapo, que retrata um fato histórico ocorrido em 24 de abril de 1646, onde as mulheres enfrentaram a invasão dos Holandeses no território e terminaram vitoriosas.

Sugestões para a expansão turística

O turismo ainda incipiente na região foi uma das motivações que levaram às professoras a escolha do tema de estudo, pois, segundo elas, o mesmo “abre um leque de possibilidades para discutir o desenvolvimento da atividade de forma sustentável, sem repetir os impactos negativos comuns da prática do turismo em outras regiões do Nordeste brasileiro”, destacam.

Além da pesquisa, as professoras fizeram sugestões para a promoção de um turismo sustentável no município, como a inserção das comunidades, sobretudo as tradicionais, no planejamento e desenvolvimento da atividade como alternativa para a melhoria de qualidade de vida através de emprego, renda e autoafirmação cultural. Outro ponto importante citado foi a atuação do poder público com políticas voltadas à melhoria da infraestrutura, ao reconhecimento dos aspectos históricos e culturais do município, à preservação dos ecossistemas e incentivo ao turismo sustentável.

Fórum e Festival

O Fórum Internacional de Turismo do Iguassu é promovido pela De Angeli em parceria com o Instituto de Desenvolvimento do Turismo, Cultura, Esporte e Meio Ambiente (Idestur) e o Programa de Mestrado e Doutorado em Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), com apoio de diversas universidades e institutos brasileiros. O evento oportuniza a academia interagir diretamente com o mercado do turismo. Nos últimos anos, o evento tem possibilitado uma importante discussão sobre os trabalhos produzidos em diversas instituições de ensino do Brasil. Os melhores trabalhos apresentados são publicados em livros (coletâneas), revistas científicas nacionais e anais on-line.

Créditos: Jean Pavão/Festival das Cataratas

Créditos: Jean Pavão/Festival das Cataratas

Realizado em Foz do Iguaçu (PR), o Festival das Cataratas é o segundo maior evento de turismo da região Sul do Brasil. Em 2017, o evento mais uma vez bateu recorde no número de participantes. Foram 8.180, de 21 estados brasileiros e 14 países.

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